Obama procura alguém para ser o seu gerente de Twitter

A Casa Branca não só fala sobre como usa o Twitter. Agora está a caça de um “gerente do twitter do presidente”, ou o tuiteiro chefe do presidente. fiercegovSegundo a notícia publicada pelo boletim eletrônico Fierce Government, o ocupante da vaga também vai ter que manter as contas do Facebook e MySpace. As três redes sociais foram consideradas carros chefes para a bem sucedida campanha de Barack Obama para presidente dos EUA.
Aos poucos, as redes sociais vão se achando em meio a multitude de plataformas na web. O Twitter, tirando a imensa bobagem do “o que eu estou fazendo agora”, ou “o que estou lendo ou assisitindo”, parece que vem se consolidando como uma ferramenta para replicar rapidamente uma notícia ou um link para conteúdos interessantes.
O Twitter está no topo da lista de ferramentas do setor de comunicação do presidente Obama. Foi a ferramenta utilizada pelo sub-secretário de imprensa dos EUA para avisar que um press release liberado segunda passada estava errado.
Os governantes que usam o Twitter ainda acham que ele deve ser usado para propaganda governamental. Bobagem! Vão perder audiência. Relevância do conteúdo e reputação do emissor são essenciais nas redes sociais.
Se você estiver interessado no cargo, veja os requisitos necessários e aproveite para se candidatar. Página disponível no site Organizing for America.
Veja mais da notícia no Wall Street Journal blog e no web site Politico.

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Padrões de interoperabilidade em audiência pública

O Governo Federal abriu audiência pública para a nova versão dos Padrões de Interoperabilidade (e-PING), versão 2010. O documento pode ser encontrado na Internet em http://www.eping.e.gov.br. A audiência pública acontece em Brasília e pode ser acompanhada em video conferência nos auditórios das regionais do SERPRO. Segundo a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento “a arquitetura e-PING – Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico – define um conjunto mínimo de premissas, políticas e especificações técnicas que regulamentam a utilização da Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) no governo federal, estabelecendo as condições de interação com os demais Poderes e esferas de governo e com a sociedade em geral.”
O prazo de colaboração para a versão final desse documento vai até dia 13 de novembro de 2009.
Por que será que no convite para a Audiência Pública o evento não vai ser transmitido para a regional do SERPRO em São Paulo, a cidade que poderia ter o maior número de interessados em participar? Será que foi falha no convite?
Por que a Internet não é usada para fazer webcast da audiência? Abrir o processo para maior participação é muito saudável, mas é fundamental facilitar o processo com a tecnologia de nosso tempo.

Atualizando o meu post, hoje, dia 20 outubro:
Acabo de receber um e-mail informando que o SERPRO, ontem a noite, confirmou o streaming da audiência. Você pode seguir pelo endereço http://streaming.serpro.gov.br/e-ping.

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Nota Fiscal Paulista é o grande vencedor do Prêmio e-Gov da ABEP

banner premio_egovO projeto Nota Fiscal Paulista, da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, foi o grande vencedor do Prêmio e-Gov 2009, organizado pela ABEP para reconhecer as melhores iniciativas de governo eletrônico.
notafiscalpaulista_logoA Nota Fiscal Paulista, segundo o site do programa, “devolve 30% do ICMS efetivamente recolhido pelo estabelecimento a seus consumidores. Ele é um incentivo para que os cidadãos que adquirem mercadorias exijam do estabelecimento comercial o documento fiscal. Os consumidores que informarem o seu CPF ou CNPJ no momento da compra poderão escolher como receber os créditos e ainda concorrerão a prêmios em dinheiro.”
Os demais vencedores foram:
Na categoria e-serviços
- Emprega São Paulo, PRODESP
- Portal da Transparência, Controladoria Geral da União (CGU)
- Sistema Estadual de Registro Civil (SERC), ATI, Pernambuco
- Sistema Estadual do Produtor Rural, CELEPAR
Na categoria e-administração pública
- Inovação no processo de auditoria das contas médicas hospitalares, PROCERGS
- Rede Paulista de Inovação em Governo (iGov), Grupo de Apoio Técnico à Inovação, Secretaria de Estado de Gestão Pública de São Paulo
- Sistema Integrado de Monitoramento, Ministério da Educação
- Sistema OBM, Secretaria de Estado da Saúde e Defesa Cibil do Rio de Janeiro

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UM DIA HISTÓRICO – Dados Governamentais Abertos

Pela primeira vez no Brasil aconteceu uma ação organizada de disponibilização de dados públicos em formato aberto e um grupo de pessoas interessadas em reutilizar esses dados de acordo com a sua conveniência. Durante esse sábado e domingo, 3 e 4 de outubro, acontece o Transparência HackDay, uma atividade organizada pelo pessoal que atua na Casa de Cultura Digital, em São Paulo, com objetivo de gerar aplicações a partir de dados públicos disponíveis na web.
Essa atividade segue uma tendência mundial conhecida como Open Data, idealizada por Tim Berners-Lee, criador da web, que consiste em tornar os dados cada vez mais acessíveis na Internet, disponibilizando-os de tal maneira que eles sejam compreensíveis também por máquinas para que possam ser reutilizados e transformados para atender as necessidades dos usuários.
O evento que se assemelha ao Transparency Camp, além de conseguir gerar novas aplicações até o final de domingo, vai também criar uma comunidade de desenvolvedores em torno dos projetos que serão desenvolvidos. Segundo um de seus organizadores, Pedro Markun, o evento “pretende começar um movimento de articular uma galera que quer pensar novas formas de atuação política, utilizando dados públicos “ (veja entrevista exclusiva para o blog Governo Eletrôonico).
A primeira atividade do evento foi a apresentação do projeto Dados Abertos, por Roberto Agune, coordenador do Grupo de Inovação Tecnológica da Secretaria de Gestão Pública. ELe foi bastante receptivo à críticas e sugestões ao projeto e deixou claro que é um primeiro passo, limitado ainda a uma única instituição, mas espera que os demais órgãos estaduais venham a aderir à iniciativa paulatinamente.
Como W3C, eu falei da importância dos governos se preocuparem em usar padrões que facilitem o reaproveitamento dos dados disponibilizados, seja em CSV, XML, RDF ou de alguma forma que eles possam ser facilmente combinados com outros e reutilizados dando novos significados.
O esforço do pessoal durante o evento agora tem sido grande porque não há dados públicos disponíveis em formato que permite a reutilização. Muitos desenvolvedores tiveram que fazer scrapping de páginas web ou mesmo digitar dado a dado, por exemplo latitude e longitude de equipamentos públicos, porque essas informações não estão disponíveis facilmente. Agune foi pioneiro ao entregar uma base de dados em formato aberto, da Fundação Seade, com diversos arquivos públicos que poderão ser manuseados.
Daniela Silva, outra organizadora do Transparência HackDay, diz que as aplicações que estão em desenvolvimento “são ainda experimentais e têm um sentido de provocação, com certeza até domingo sai alguma coisa” (veja a entrevista exclusiva para o blog Governo Eletrônico em que ela expõe cada aplicação que teve seu inicío durante o evento).

Projetos já com equipe trabalhando:
- banco de imagens da Agência Brasil
- criação de histórico das condições diárias de trânsito em São Paulo
- organização da demanda e oferta de vagas nas escolas públicas
- parlamento aberto, acompanhamento da atuação de parlamentar

Projetos que ainda precisam ser adotados por desenvolvedores:
- adote um buraco, uma espécie de Fixmystreet brasileiro
- comparação de dados de preços de combustíveis
- uso da base de dados de perfis dos municípios do Estado de São Paulo

Por que é histórico?

Há 20 anos, quando Tim Berners-Lee criou a web como nós a conhecemos hoje, foi muito difícil as pessoas compreenderem o que era link, endereço de uma página web e qual a utilidade daquilo. A partir daí, aos poucos as pessoas foram colocando páginas e páginas na Internet e hoje ninguém mais pergunta o que é isso e qual a importância da web, ao contrário, muita gente já não consegue viver sem ela.
Hoje, estamos em uma situação parecida. Pouca gente consegue vislumbrar a importância de se disponibilizar dados na web de forma que eles possam ser re-utilizados. Mas, já começamos a ver serviços realmente úteis utilizando esses conceitos. Fixmystreet no Reino Unido, Apps for Democracy nos Estados Unidos, LeXML no Brasil, Dbpedia na Alemanha são exemplos relevantes da força dos dados abertos.
Esse evento abre uma oportunidade enorme para pioneiros dos Dados Governamentais Abertos colocarem a criatividade brasileira em ação, não só marcando presença internacional, mas principalmente promovendo a cidadania ao gerar novos serviços que o setor público não teria recursos ou interesse para desenvolvê-los, mas que pode disponibilizar os dados para outros fazerem.
De acordo com o Pedro Markun “a gente precisa de dados brutos do poder público, dados na fonte que possam ser re-significados, re-mixados, re-interpretados pela sociedade civil”

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Antonini, CIO do TRT 4a. região e conselheiro do CONIP Judiciário, está entre os 100 melhores CIOs do país

Foto Eduardo Antonini, fonte: site da Computerworld

Eduardo Antonini, fonte: site da Computerworld

Eduardo Kenzi Antonini, diretor da Secretaria de Informática do Tribunal Regional do Trabalho da 4a. Região e também Conselheiro do CONIP Judiciário, está entre os 100 principais CIOs do País, de acordo com a publicação Computerworld que divulgou o IT Leaders 2009. Antonini é o grande vencedor na categoria Governo pela sua atuação no projeto MPS-BR, um modelo de qualidade para desenvolvimento de software. Outro destaque da atuação de Antonini e equipe foi a criação do Escritório de Projetos, que trouxe uma perspectiva integrada no desenvolvimento de projetos do Tribunal. A notícia completa da escolha do Antonini pode ser encontrada na página web ITLeaders2009

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GovTech 2009: terceiro e último post – cases da melhor qualidade

Quentin Willians, gerente do W3C Escritório para o Sul da África

Quentin Willians

No terceiro e último dia da conferência, a apresentação de Quentin Willian, gerente do W3C Escritório para o Sul da África, “Improving Access to Government through better use of the Web” foi rica em casos de uso da tecnologia da informação e comunicação em favor do cidadão, mostrando que o uso da tecnologia mais apropriada para o público-alvo traz maiores e melhores resultados para a base da pirâmide social. Vale a pena dar uma olhada no link acima para os slides. Reforça a temática que percorreu os três dias de evento: e-gov centrado no cidadão.

drumnetNo Kenya, o projeto Drumnet oferece a camponeses serviços de cotação de mercado dos produtos que eles vendem, divulgação de produtos e compartilhamento de transporte de cargas por meio de telefones celulares e quiosques. Já se contabiliza 7 mil transações comerciais com economia de USD 2,3 por transação e uma receita total de USD 16.705 advindas de economias obtidas.

Em Uganda, o projeto UNIDO oferece, por meio de 8 telecentros de negócios, serviços de consultoria empresarial e acesso a sistemas de informações relevantes para seus negócios, serviços de intermediários na distribuição de produtos bem como suporte na criação de vínculos com os governos locais, regionais e nacionais.

Logo Forum for the FutureNo Egito, onde o mercado de celular pré-pago é majoritário, um estudo realizado pelo Forum for the Future, mostrou os benefícios das transferências de créditos de minutos entre aparelhos celulare. Assim, quem tem crédito sobrando e que vai expirar pode transferir para um familiar ou um pequeno empresário pode transferir para um funcionário para que ele esteja conectado mais tempo. Essa facilidade aumentou o uso do celular e criou um novo negócio de revenda de minutos.

Entre as minhas conversas com representantes do governo sul-africano, Barbara Watson, diretora do Centro para Inovação no Serviço Público (CPSI) relatou duas experiências magníficas. Um posto policial móvel que vai de vial em vila na zona rural para emissão de certidões, documento básico para obtenção de benefícios sociais. Lembrei dos nossos barcos na Amazônia. Outro projeto é o áudio-livro destinada à população analfabeta com hsitórias que ajudam na prevenção a malária e AIDS. Com o tempo descobriram que o livro também alcançava a população com deficência visual.

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GovTech 2009: transparência ou ingenuidade

Às vezes, a melhor das intenções torna-se a mais pura ingenuidade. Ou, uma aparente ingenuidade revela algo mais profundo. Durante a GovTech 2009, Conferência de Governo Eletrônico da África do Sul, que acontece em Durban, um dos palestrantes principais foi Moses Mitimunye, presidente em exercício da SITA, empresa que exerce o mesmo papel que o SERPRO para o governo brasileiro. Exceto que SITA também possui a função normativa em relação a TI, que no Brasil é feita pela SLTI do Ministério do Planejamto.

Moses Mtimunye acting CEO and chief of strategic services for SITA

Moses Mtimunye acting CEO and chief of strategic services for SITA

A apresentação do Mtimunye foi totalmente focada em definições de fraude e corrupção no governo e as ações que vêm sendo realizadas pelo governo sul-africano que colocou o combate à corrupção governamental como uma das ações prioritárias. Mitimunye também se preocupou em afirmar que muito se fala de corrupção no Governo mas boa parte são denúncias sem comprovação ou fundamento. Apresentou uma pesquisa em que compara as notícias que saíram nos jornais e o que de fato aconteceu.
Eis que no final da apresentação ele utilizou essas ferramentas “moderninhas” de interatividade em eventos que tornam possíveis a audiência responder a perguntas e os resultados serem mostrados instantaneamente. A primeira pergunta para uma plateia de mais de 500 profissionais do setor público foi se o eles acreditavam que há corrupção no governo. 98% responderam SIM. A segunda pergunta foi se as ações em curso vão resolver o problema da corrupção. Cerca de 90% responderam NÃO. À pergunta se vai funcionar a Hot Line presidencial para a qual o cidadão pode ligar para o presidente para denunciar corrupção, a maioria respondeu que NÃO vai funcionar. Quando surgiu a oportunidade de perguntas por SMS, aí o caldo entornou. Perguntaram até sobre nunca muda um fornecedor eterno do governo. A boa notícia é que, quando perguntado, a maioria do público respondeu que está disposto a colaborar para resolver o problema.
Conclusões possíveis:
- Mitimunye não foi convincente em seu discurso e se expôs ingenuamente ou o que ele quis dizer é que o combate a corrupção começa com a cooperação dos que estão dentro do governo.
- A tecnologia até pode ajudar no combate a corrupção, mas o controle do Estado pela Sociedade e a resposta positiva do Estado faz com que o governo conquiste um patamar de confiança pela sociedade.

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GovTech 2009, Conferência de Governo Eletrônico na África do Sul

Por 3 dias vou postar direto da GovTech 2009, a conferência sul-africana de governo eletrônico, organizada pela SITA – State Information Technology Agency, que em bom português quer dizer que eles são o SERPRO da África do Sul. A Conferência acontece na cidade de Durban, no litoral leste do país, Oceano Índico, com a participação de cerca de 2 mil congressistas do setor público.

Durban e o ICC Centro de Convenções Internacional ao lado

Durban e o ICC Centro de Convenções Internacional ao lado

Durban é uma cidade com 3,5 milhões de habitantes, maioria da etnia Zulu e uma forte imigração indiana. Diz-se que aqui está a maior cidade indiana fora da Índia. Cidade destino de turismo e importante centro de convenções. O local de realização da GovTech tem infra-estrutura que não existe similar no Brasil. E, além disso, será uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol, no próximo ano. Portanto, obras em toda a parte.
Uma breve história para entender o governo eletrônico por aqui. A África do Sul começou a viver uma democracia em 1994, após o fim do sistema de segregação racial conhecido como “Apartheid”. O fim do governo anterior e início do novo representou um exílio de cerca de 800 mil brancos e assumiram o governo militantes do CNA – Congresso Nacional Africano, liderado pelo Prêmio Nobel da Paz,
Estátua de Nelson Mandela na praã com seu nome, em Joanesburgo

Estátua de Nelson Mandela na praça com seu nome, em Joanesburgo

Nelson Mandela, professores das universidades, membros de organizações não governamentais e parte da inteligência que voltou do exílio. Segundo as palavras de Michelle Wiilians, vice-diretora geral e diretora de TI do Departamento de Serviços Públicos e Administração do Governo da África do Sul, “não conhecíamos o que era governar, não conhecemos o negócio governo e ainda não sabemos o que não sabemos”. Palavras corajosas para expor que a África do Sul é ainda um país em construção, em busca de sua identidade e modo de governar. São onze línguas oficiais, boa parte representando etnias tribais importantes, cada região governando ainda do mesmo modo que antes da democracia sem um marco regulatório que padronize a oferta de serviços de governo.
Há um desafio de se construir um governo diferente daquele do período do Apartheid. Ainda restam sequelas enormes do período racista. Bairros chiques totalmente murados e protegidos com cercas elétricas. Diferenças étnicas importantes dividindo a população negra e baixo índice de miscegenação.
Há um grande esforço em capacitar as novas gerações para gerir o país. O governo racista continuamente segregou os negros, indianos ou qualquer outro cidadão não branco de participar ativamente da economia. O atual governo criou o BEE (Black Economy Empowerment), uma política de fortalecimento da participação da população negra na economia. Uma das ações dessa política é privilegiar nas compras governamentais as empresas sul-africanas que possuem negros como acionistas majoritários. Também obriga as empresas a ter percentuais mínimos de população negra em níveis gerenciais.
Há um espaço enorme para atuação de empresas brasileiras na África do Sul, particularmente na área de governo eletrônico. O Softex, programa do governo federal para exportação de software, dá todo o apoio à empresas interessadas. Há também uma boa oportunidade para compartilhamento de software. O conceito de software aberto e livre ainda é recente por aqui mas vai sendo assimilado aos poucos.

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Dexa e-Gov Conference 2009 – último post

Joao Lima na Dexa e-Gov Conference 2009 em Linz, Áustria

Joao Lima na Dexa e-Gov Conference 2009 em Linz, Áustria

“No quarto e último dia do EGOV`09, interessei-me pelas palestras sobre interoperabilidade. A seguir relato dois tópicos de duas palestras que me chamaram a atenção e que podem possivelmente ser aplicados à arquitetura de interoperabilidade do Brasil, a e-PING.

A palestra “eGIF4M: E-Government Interoperability Framework for Mozambique” apresentada por Alessandro Zorer (Itália) mostrou que o framework adotado na nação africana utiliza um Modelo de Maturidade de Interoperabilidade que permite medir o seu nível de adoção, além de permitir planejar ações mais efetivas para sua difusão. Baseado nos diversos modelos de maturidade existentes (CMMI, ISO/IEC 15504, Bootstrap, Trillium), foram definidos níveis para avaliação de sistemas e de organizações. Em relação aos sistemas, são medidos os níveis de maturidade para a interoperabilidade de dados e para a tecnologia utilizada. E, no caso de organizações, são medidos os níveis as maturidades dos processos e da infraestrutura. A arquitetura e-PING do Brasil está iniciando um trabalho de auditoria sobre a adoção da arquitetura e, salvo engano, a estratégia utilizada não é baseada em níveis de maturidade. Penso que essa abordagem pode ser também interessante para o Brasil dada a heterogeneidade dos sistemas e organizações existentes.

Yannis Charalabidis (Grécia) apresentou a palestra “Metadata Sets for e-Government Resources: The Extended e-Government Metadata Schema (eGMS+)” que propõe uma ontologia que considera não apenas a descrição de documentos, mas também a descrição das seguintes classes: Serviço, Sistema de Informação, Agentes Públicos, Web Services, Quadro Normativo (Legal Framework), XML Schemas e Code Lists. O modelo apresentado faz parte do framework de interoperabilidade do governo grego (http://www.e-gif.gov.gr/). Acredito que um estudo detalhado do eGMS+ pode também beneficiar a arquitetura e-PING do Brasil e catalisar a implantação da infraestrutura necessária à interoperabilidade exigida pelo Decreto 6932/2009.

O balanço final da participação no evento é muito positivo. Foi uma excelente oportunidade para conhecer novas experiências, estabelecer novos contatos e refletir sobre os projetos que estamos desenvolvendo no Brasil.

Agradeço ao Instituto ITIP o espaço concedido para relatar a participação no evento.

Até o próximo DEXA/EGOV, em 2010!

[]s

João Lima

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Dexa e-Gov Conference 2009 – 3º post

E o João Lima, responsável pelo trabalho vencedor do Prêmio CONIP de Excelência continua postando diretamente da Conferência Dexa e-Gov 2009, em Linz, na Áustria.

André Andrade, FGV, proferindo palestra na Dexa e-Gov Conference

André Andrade, FGV, proferindo palestra na Dexa e-Gov Conference

“No terceiro dia do EGOV`09, tivemos a segunda participação do Brasil com a apresentação do trabalho “E-Gov and Access to Justice in Brazil” de autoria de André Andrade (foto) e Luis Antônio Jóia (Fundação Getúlio Vargas). Foi apresentado um panorama das dificuldades e desafios para a inclusão social e digital e o acesso à justiça em um país de dimensões continentais.

A palestra “E-Government: New Challenges Ahead” foi realizada pelo palestrante convidado Roland Traunmüller (Universidade de Linz, Austria). Após a apresentação de um rápido histórico de E-Government, o palestrante passou a abordar os conceitos de “Good Governance” e “Good Government”. Viver sob uma boa governança é um objetivo comum e os principais traços que favorecem esse quadro são: democratização, coerência, responsabilidade, transparência e efetividade. Um bom e moderno governo é realizado pelas iniciativas de E-Government.

Na sequencia, ele tratou da idéia de “one-stop government” utilizando a analogia de “one-stop shopping”, isto é, com uma única parada em um shopping center é possível fazer várias compras, de modo similar, com um único site de e-government é possível transferir para os cidadãos serviços e informações. Austria, Grécia e Suiça estão testando a estratégia do portal unificado. Fiquei satisfeito em ver que o LexML já utiliza essa idéia de ponto unificado de acesso no que concerne à informação legislativa e jurídica nos vários poderes e esferas de governo, podendo se tornar uma importante peça a ser encaixada em um futuro portal “one-stop government” no Brasil.

Na segunda parte da palestra, foram apresentados desafios para as iniciativas de E-Government.

Desafio 1: estabelecer serviços públicos pan-europeu. Esse desafio deve tratar de problemas de gestão de identidade e interoperabilidade entre sistemas. Esses mesmos problemas ocorrem também no Brasil. Temos a vantagem de ter de tratar apenas uma língua ao invés de mais de 20.

Desafio 2: novas formas de trabalhar com tecnologias de workflow coordenadas com reengenharia de processos que considerem as novas formas de comunicação (redes sociais) e as tecnologias Web 2.0.

Desafio 3: suportar “public governance” e “e-participation”. O papel do cidadão no processo democrático evoluiu com a introdução do E-Government e o que percebo é que ainda estamos engatinhando nesse aspecto — muito ainda poderá ser realizado nesse sentido no Brasil.
[]s,
João”

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